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Pode usar IA na foto do cardápio? O que o iFood diz

O iFood aceita imagem feita com IA se ela representar o produto entregue. Onde fica o limite, o que diz o Código de Defesa do Consumidor e como evitar problema.

· 3 min de leitura

Hoje dá para gerar com IA a foto de um prato inteiro, sem cozinhar nada. A pergunta não é se dá, é se pode. E o que acontece quando o cliente abre a embalagem e encontra outra coisa.

O que o iFood diz

Ao Tecnoblog, o iFood disse que permite imagens feitas com IA desde que representem de forma coerente o produto que será entregue. A empresa também disse que tem regras para a apresentação dos itens e que denúncias podem levar de advertência até a exclusão da plataforma.

Ou seja: a ferramenta não é o problema. O problema é a foto prometer o que não vai chegar.

Outras plataformas são mais rígidas

A DoorDash, nos Estados Unidos, recusa foto de cardápio que não representa o item vendido. Entre os motivos que ela lista estão foto com vários produtos que são vendidos separados, close que esconde o tamanho da porção, apresentação irreal e texto, logo ou borda por cima da imagem. A ideia é a mesma do iFood, escrita de forma mais dura: a foto mostra o que o cliente recebe ao pedir aquele item.

O que diz a lei

O Código de Defesa do Consumidor não fala de IA. Fala de oferta e de publicidade, e a foto do cardápio é as duas coisas. Quatro artigos explicam o risco:

  • Art. 30: a informação ou publicidade suficientemente precisa obriga quem a divulga e passa a fazer parte do contrato.
  • Art. 31: a apresentação do produto deve trazer informações corretas, claras e precisas sobre características, qualidade e quantidade, entre outros dados.
  • Art. 35: se o fornecedor não cumprir o que a oferta ou a apresentação prometeu, o consumidor escolhe entre exigir o cumprimento, aceitar um produto equivalente ou desfazer a compra com a devolução do que pagou.
  • Art. 37: é proibida a publicidade enganosa, inclusive a que leva o consumidor a erro sobre as características ou a quantidade do produto.

Isto é um resumo dos artigos, não orientação jurídica. Para um caso concreto, fale com um advogado.

No delivery, a conta costuma chegar antes de qualquer processo: pedido de reembolso, reclamação no app, avaliação baixa e cliente que não pede de novo.

Onde fica o limite

Tratar a foto

  • Corrigir luz, cor, foco e enquadramento.
  • Limpar o fundo ou trocar a superfície da mesa.
  • Tirar respingo da borda do prato e objetos que não fazem parte do pedido.

Mudar o produto

  • Aumentar a porção ou multiplicar ingredientes.
  • Acrescentar o que não vem no pedido: acompanhamento, bebida, guarnição.
  • Mostrar louça quando o pedido chega em pote ou marmita.
  • Gerar o prato do zero, sem foto do prato de verdade.

Um teste rápido: ponha a foto ao lado do pedido como ele sai da cozinha. O cliente reconheceria o mesmo prato, com a mesma quantidade, os mesmos ingredientes e a mesma embalagem? Se sim, a foto está tratada. Se não, ela mudou o produto.

Como o Cardápio trata a foto

O Cardápio parte da sua foto; ele não inventa prato. As instruções que vão para a IA mandam manter ingredientes, porção, quantidade e embalagem, e mexer só em luz, cor, foco e fundo. Você pode escrever uma observação, como “tirar o guardanapo”, mas ela entra depois da regra da comida, nunca no lugar dela.

Mesmo assim, confira cada resultado antes de publicar. A IA pode errar um detalhe, e quem conhece o prato é você.

Fontes

  1. iFood até libera IA em fotos de cardápios, mas recomenda cautela, Tecnoblog, junho de 2025.
  2. Common Reasons for Rejected Menu Photos, DoorDash, central de ajuda para lojistas, consultada em 19 de outubro de 2026.
  3. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), Planalto.

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