Pode usar IA na foto do cardápio? O que o iFood diz
O iFood aceita imagem feita com IA se ela representar o produto entregue. Onde fica o limite, o que diz o Código de Defesa do Consumidor e como evitar problema.
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Hoje dá para gerar com IA a foto de um prato inteiro, sem cozinhar nada. A pergunta não é se dá, é se pode. E o que acontece quando o cliente abre a embalagem e encontra outra coisa.
O que o iFood diz
Ao Tecnoblog, o iFood disse que permite imagens feitas com IA desde que representem de forma coerente o produto que será entregue. A empresa também disse que tem regras para a apresentação dos itens e que denúncias podem levar de advertência até a exclusão da plataforma.
Ou seja: a ferramenta não é o problema. O problema é a foto prometer o que não vai chegar.
Outras plataformas são mais rígidas
A DoorDash, nos Estados Unidos, recusa foto de cardápio que não representa o item vendido. Entre os motivos que ela lista estão foto com vários produtos que são vendidos separados, close que esconde o tamanho da porção, apresentação irreal e texto, logo ou borda por cima da imagem. A ideia é a mesma do iFood, escrita de forma mais dura: a foto mostra o que o cliente recebe ao pedir aquele item.
O que diz a lei
O Código de Defesa do Consumidor não fala de IA. Fala de oferta e de publicidade, e a foto do cardápio é as duas coisas. Quatro artigos explicam o risco:
- Art. 30: a informação ou publicidade suficientemente precisa obriga quem a divulga e passa a fazer parte do contrato.
- Art. 31: a apresentação do produto deve trazer informações corretas, claras e precisas sobre características, qualidade e quantidade, entre outros dados.
- Art. 35: se o fornecedor não cumprir o que a oferta ou a apresentação prometeu, o consumidor escolhe entre exigir o cumprimento, aceitar um produto equivalente ou desfazer a compra com a devolução do que pagou.
- Art. 37: é proibida a publicidade enganosa, inclusive a que leva o consumidor a erro sobre as características ou a quantidade do produto.
Isto é um resumo dos artigos, não orientação jurídica. Para um caso concreto, fale com um advogado.
No delivery, a conta costuma chegar antes de qualquer processo: pedido de reembolso, reclamação no app, avaliação baixa e cliente que não pede de novo.
Onde fica o limite
Tratar a foto
- Corrigir luz, cor, foco e enquadramento.
- Limpar o fundo ou trocar a superfície da mesa.
- Tirar respingo da borda do prato e objetos que não fazem parte do pedido.
Mudar o produto
- Aumentar a porção ou multiplicar ingredientes.
- Acrescentar o que não vem no pedido: acompanhamento, bebida, guarnição.
- Mostrar louça quando o pedido chega em pote ou marmita.
- Gerar o prato do zero, sem foto do prato de verdade.
Um teste rápido: ponha a foto ao lado do pedido como ele sai da cozinha. O cliente reconheceria o mesmo prato, com a mesma quantidade, os mesmos ingredientes e a mesma embalagem? Se sim, a foto está tratada. Se não, ela mudou o produto.
Como o Cardápio trata a foto
O Cardápio parte da sua foto; ele não inventa prato. As instruções que vão para a IA mandam manter ingredientes, porção, quantidade e embalagem, e mexer só em luz, cor, foco e fundo. Você pode escrever uma observação, como “tirar o guardanapo”, mas ela entra depois da regra da comida, nunca no lugar dela.
Mesmo assim, confira cada resultado antes de publicar. A IA pode errar um detalhe, e quem conhece o prato é você.
Fontes
- iFood até libera IA em fotos de cardápios, mas recomenda cautela, Tecnoblog, junho de 2025.
- Common Reasons for Rejected Menu Photos, DoorDash, central de ajuda para lojistas, consultada em 19 de outubro de 2026.
- Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), Planalto.